No ano em que ‘Usuário’ completa duas décadas, banda se apresenta na Fundição
‘Na veia do Planet Hemp corre o sangue punk’
- Marcelo D2Rapper
Em comum, todas as canções do repertório parecem manter a mesma força que tinham quando foram lançadas. As críticas à polícia e à política brasileira, que pontuam músicas como “Porcos fardados” e “Stab”, continuam tragicamente atuais. Desde a estreia da banda, com “Usuário”, em 1995, eles afirmam não ter visto progresso. BNegão tem uma explicação simples:
— As letras que foram escritas há mais de uma década estão valendo até hoje. Não é porque neguinho é profeta, é porque não mudou nada. Infelizmente.
D2, companheiro de rimas, concorda:
— Na veia do Planet Hemp corre o sangue punk. Somos contra tudo e contra todos. Não acreditamos nesse Fla-Flu que tomou conta da política brasileira. Estamos aqui para dizer que existem caminhos diferentes.
NOVO GUITARRISTA
Os desafios que o país enfrenta, nas vielas dos morros cariocas ou nos corredores do Congresso, estimulam os veteranos a voltar à cena. Eles garantem que acabou o hiato: a “ex-quadrilha da fumaça” está definitivamente de volta na praça.
— Depois da turnê em 2012, a chama se acendeu de novo — diz D2.
Se não enxerga mudanças no panorama político, o vocalista de 48 anos passou por transformações na vida pessoal. Ele garante ter parado de beber para preservar a saúde. Afinal, zanzar pelo palco durante os shows não tem sido fácil. Mesmo empolgado com o retorno da banda, ele também olha com ressalvas para o legado do Planet.
— Estamos até falando em música nova. É difícil porque, hoje, aquelas letras me soam um pouco ingênuas. Continuo o mesmo moleque revoltado de 20 anos atrás, mas perdi a ingenuidade. Tanto eu quanto o Bernardo (BNegão) mudamos a nossa maneira de escrever. O que posso dizer é que não é mais uma reunião, é uma volta. Queremos fazer shows todos os anos.
‘Não é porque neguinho é profeta, é porque não mudou nada’
A
banda lança um DVD com o registro de turnê de 2013 em breve. Enquanto o
GLOBO acompanhava o ensaio, no fim de novembro, Nobru Pederneiras
tentava acompanhar os outros quatro músicos. O guitarrista assume o
lugar antes ocupado por Rafael Crespo e Jackson.
- BNegãoRapper
As chances de um retorno de Black Alien, responsável por versos celebrados em raps como “Queimando tudo”, são remotas. O convite, garantem BNegão e D2, segue de pé. Mas o MC de Niterói, que lançou neste ano “Babylon by Gus, vol. II — No princípio era o verbo”, precisa topar.
— Tem a possibilidade, mas é preciso de uma conjunção astral. Precisamos tocar em um local em que ele esteja perto, com datas disponíveis. Se for acontecer, não vamos nem anunciar. Se ele aparecer, vai ser demais — finaliza BNegão.
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